terça-feira, 9 de agosto de 2016

Couro Vegetal e Sustentável

Publicado por: ambiental.pectem.com

Cristiana Furlan Caporrino
09/08/2016

A Professora Young-A Lee da Universidade Estadual de Iowa dirige uma pesquisa que desenvolveu um material, com propriedades similares ao couro animal, a partir dos resíduos de um chá, o Kombucha, ou combucha, a base de celulose e totalmente biodegradável. Este material pode ser utilizado na fabricação de roupas, bolsas e calçados (Hunt, 2016).
Apesar de esta inovação proporcionar uma grande contribuição para o fim das práticas de crueldade animal na indústria do couro a principal motivação de Lee foi acabar com o desperdício. Com o intuito de minimizar o impacto da grande quantidade de acessórios e roupas de couro, que acabam virando lixo, a pesquisadora desenvolveu um material semelhante, só que mais resistente e biodegradável.
O impacto ambiental de uma peça de vestuário inicia em sua fabricação, permanece durante a utilização e após o descarte, transformando-se em resíduo. O poliéster, como exemplo de um material comum, é feito a partir de petróleo e algodão, exigindo cerca de 20.000 litros de água para a produção de apenas um quilo, mostra o quanto a produção têxtil precisa ser modificada para contribuir nos esforços mundiais para atenuar a mudança climática.
Com o aumento do consumo de roupas a cada ano, cerca de 40 milhões de toneladas de resíduos têxteis são gerados anualmente. O Reino Unido contribui com aproximadamente 350.000 e os EUA com mais de 15 milhões de toneladas todos os anos. A China, grande produtora de roupas e acessórios, corresponde de 3,5 a 4 por cento de todos os resíduos do mundo.
O resíduo do chá é um filme semelhante a um gel de fibras de celulose que é alimentado com uma colônia simbiótica de bactérias e leveduras (SCOBY), basicamente uma mistura do vinagre e açúcar. O cultivo do tecido é feito em recipientes rasos, não envolvendo maquinários pesados.
Após seco e prensado, o material se mostra muito similar ao couro animal, podendo ser aplicado como substituto do mesmo, mas também foi testado em cosméticos, alimentos e tecidos biomédicos para curativos. A pesquisadora, no entanto, se concentrou em peças de vestuário pelo principal fato de que a fibra é 100% biodegradável apresentando-se como um benefício significativo para a indústria da moda.
“A moda, para a maioria das pessoas, é uma expressão efêmera da cultura, da arte e da tecnologia que se manifestam expressas em forma [de um objeto]. As empresas de moda continuam produzindo novos materiais e vestuários, de estação em estação, ano a ano, para atender o desejo e as necessidades dos consumidores, Pense sobre onde esses itens irão parar. Eles ocuparão tremendos espaços da Terra, como qualquer outro lixo,” disse Lee.

Para que possa ser produzido industrialmente, o novo tecido precisa resolver algumas questões, como por exemplo, com a absorção de umidade do ar o material amolece, e o frio o torna quebradiço.
O recado é mais do que criar alternativas para a moda, mas mostrar que o uso de couro animal não é legal, além de proporcionar redução de resíduos. Exemplos como este e como a  marca Giorgi Armani que anunciou o fim do uso de peles de animais em todos os produtos de sua marca é que devem ser inspiradores.


Fonte da imagem: Iowa State University
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Hunt, Angie. Clothing made from tea byproduct could improve health of fashion industry. April 26, 2016. By Angie Hunt, ISU News Service. Disponivel em: http://www.hs.iastate.edu/news/2016/04/26/tea-byproduct/

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