quarta-feira, 7 de junho de 2017

Entra em operação parque de geração de energia solar na Bahia

Postado por: Indústria Hoje em 5/jun/2017

Localizado em Bom Jesus da Lapa (BA), o parque é composto por duas usinas, com capacidade instalada total de 158 megawatts.

O parque solar Lapa, considerado o maior parque solar fotovoltaico em operação no Brasil, entrou em operação hoje (5). Localizado em Bom Jesus da Lapa (BA), o parque é composto por duas usinas, com capacidade instalada total de 158 megawatts. A operação do parque é da Enel Green Power, subsidiária brasileira do grupo italiano Enel.
Lapa está localizada em uma área com altos níveis de radiação solar e, de acordo com a Enel, é capaz de gerar cerca de 340 gigawatts de energia por ano. A energia é suficiente para atender às necessidades anuais de consumo de energia de mais de 166 mil lares brasileiros, evitando a emissão de cerca de 198 mil toneladas de CO2 na atmosfera.

A Enel investiu cerca de US$ 175 milhões na construção do parque solar. O projeto foi concedido ao grupo em agosto de 2015 no leilão de reserva feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica e o contrato de fornecimento é de 20 anos.
Sabrina Craide – Repórter da Agência Brasil
Edição: Valéria Aguiar

terça-feira, 6 de junho de 2017

Arquitetura de escola em São Paulo foi pautada pela proposta pedagógica: a franca relação entre interior e exterior e a oferta de ambientes dinâmicos e estimulantes no coração do projeto

Por: aU

Carine Savietto

Edição 278 - Maio/2017

Como pensar arquitetonicamente uma escola que não deseja se prender a suas paredes e lousas? Partindo dessa reflexão, a educadora Gisela Wajskop delineou as bases do que seria o espaço ideal para abrigar a Escola do Bairro, um centro de educação infantil e fundamental I (do 1o ao 5o ano) norteado por um intenso diálogo de culturas - a familiar, a infantil, a local e a comunitária.
O local escolhido para acolher a instituição foi um simpático sobradinho de estilo eclético construído entre as décadas de 1940 e 1950, na Vila Mariana, em São Paulo. "Considerando que um ambiente guarda rastros que revelam como as pessoas ali viviam e se relacionavam, decidimos respeitar as marcas históricas do prédio, mantendo e recuperando muitos dos elementos originais. Para as crianças, é também uma forma de aprender com a vida real e a memória", conta Gisela. Coube ao arquiteto Gabriel Grinspum, do escritório Agrau, criar um projeto que adaptasse o imóvel às necessidades do uso escolar e, ao mesmo tempo, traduzisse em linguagem arquitetônica todos os detalhes da proposta pedagógica desenvolvida pela educadora.
FORMA E FUNÇÃO
A casa principal teve a fachada pintada de branco e algumas esquadrias refeitas de acordo com a proporção das aberturas originais, muitas das quais já haviam sido desconfiguradas. Internamente, os assoalhos de madeira foram recuperados e o layout ajustado ao programa da escola: o primeiro pavimento ganhou compartimentações de drywall para acolher secretaria, sala dos professores, cozinha e banheiros, além de uma aconchegante sala para os bebês. O segundo piso teve as paredes demolidas para a conexão de três ambientes, que deram origem a uma sala única.
Diversos anexos - erguidos ao longo dos anos nos fundos do terreno, sem nenhum planejamento - foram demolidos. No lugar dessas construções precárias, surgiu um novo pavilhão, que conjuga estrutura metálica, fechamento externo de blocos cerâmicos e cobertura de aço treliçada. A comunicação com a edificação existente é feita através de um pátio no segundo andar, onde se localiza o elevador que atende aos dois blocos.
Com sutil referência à Capela de Ronchamp, de Le Corbusier, a fachada cinza salpicada de pequenas janelinhas, constituídas de elementos pré-moldados de vidro fixo, marca a identidade visual do novo volume, que ainda ganhou piso cimentado no andar inferior e ladrilho hidráulico no superior. Mas a inspiração de maior peso é encontrada na arquitetura educacional de Richard Neutra, conhecido por suas escolas leves e fluidas, que subvertem a tradicional condição estática de uma sala de aula em nome de um processo educativo extremamente rico em experiências e em constante movimento.
Do desejo de valorizar a arquitetura brasileira também vieram muitas escolhas de projeto, como os janelões escancarados, as generosas varandas e os elementos vazados, que comparecem tanto no muro da fachada principal quanto no terraço superior.
INVESTIGAÇÃO E DESCOBERTA
Na Escola do Bairro, os espaços pedagógicos são flexíveis, adquirem funções múltiplas e, dialogando com os ideais de Neutra, possuem portas completamente envidraçadas e de correr, que garantem a máxima integração entre interior e exterior. No fundo do lote, as crianças encontram muito mais do que um pátio gramado: o jardim foi concebido para servir de palco para exercícios investigativos e exploratórios, além de estimular a relação com os quatro elementos - razão pela qual a área ao ar livre conta com forno de barro e espelho d'água com peixinhos, além de paisagismo pedagógico.
As crianças vão se apropriando dos espaços sem fazer muita distinção entre o que está "dentro" e o que está "fora": "Realizamos atividades para aguar as flores, construir rios na areia, fazer desenhos efêmeros de barro nas paredes de azulejo, rabiscar os vidros com giz líquido...", enumera Gisela Wajskop.
O mobiliário infantil, desenvolvido pela educadora em parceria com a arquiteta Camila Bianchi, da Maria Joaquina Marcenaria, também foi idealizado para estimular uma ampla gama de vivências. De compensado naval revestido de laminado melamínico, as peças são empilháveis e podem ser guardadas facilmente se a ideia for criar um grande espaço vazio no meio da sala. Além disso, ainda atuam como se fossem blocos de montar que, acrescidos de panos coloridos e outros acessórios, dão vida a divertidos espaços de brincar. Para as paredes, nada de cor: os ambientes são como telas em branco criadas especialmente para receber o vibrante colorido das crianças.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Lona de concreto: tudo o que você precisa saber sobre essa inovação tecnológica

POR BLOG DA ENGENHARIA

Publicado em 22 de maio de 2017





A tecnologia do concreto evoluiu muito ao longo dos últimos anos. O alto desempenho desse material tem se mostrado cada vez mais importante para o desenvolvimento de grandes obras em engenharia e arquitetura. Investigações militares provaram que é possível obter bons alojamentos de emergência, para casos de desastres naturais ou guerras, por exemplo, através do seu emprego. Agora, uma nova abordagem, de uma dupla de engenheiros britânicos, tem chamado à atenção do mercado da construção civil. Trata-se de uma tenta inflável em concreto.

Peter Brewin e Will Crawford começaram a desenvolver, em 2004, no Royal College of Art, em Londres, um tipo de lona de concreto geossintética, contendo compostos cimentícios. Essa tecnologia inovadora ficou conhecida como ‘Concrete Shelter’ – ou ‘Abrigo de Concreto’, em português. Inicialmente, ela foi pensada para ser carregada por militares, através de bolsas plásticas de armazenamento, totalmente à prova d’água. O kits seriam destinados para áreas de refugiados ou outras regiões muito carentes, visando o atendimento humanitário.

Esse tipo de abrigo poderia acomodar os mais diferentes usos. O primeiro teste realizado com o material foi na Etiópia, com a implantação de um projeto voltado à agricultura. A ação rendeu, aos inventores, algumas importantes premiações, como o Material Connexion, de 2009. Hoje, esse modelo de lona de concreto é enviado também a outros países. Ele tem sido utilizado, principalmente, como forro para valas de drenagem, para proteção de encostas de morros e terraplenagens. Com a cama interna do plástico esterilizada, a estrutura também pode ser adequada para uso como hospital de emergência.

Composição do material

Para que a produção da lona de concreto, desenvolvida por Brewin e Crawford, fosse possível, a maioria dos equipamentos precisou ser desenvolvida do zero, já que nunca existiu uma tecnologia similar no mercado. O material é composto de concreto seco imprensado entre tecido. Do lado de fora, há o revestimento feito de fibras porosas, que contém partículas de cimento. Já do lado de dentro, tem-se uma camada plástica, de cloreto de polivinilo, à prova dágua.

+ Montagem da estrutura

A montagem do abrigo de concreto é bem rápida. Com apenas duas pessoas, sem qualquer treinamento, já se consegue montar tudo. O trabalho deve levar em torno de uma hora. Não há necessidade de fundações especiais. Basta que o terreno seja plano, livre de pedras. Após vinte e quatro horas de reações químicas, a estrutura esta totalmente firme e pronta para ser fixada ao chão, com ajuda de estacas de metal.
Primeiro, o material flexível e leve é inflado, com um compressor de ar, até atingir a forma final desejada. Depois, deve-se regar o conjunto com água, não necessariamente potável ou doce. O resultado é uma concha de concreto robusto, endurecido entre as camadas de fibras têxteis. O abrigo está, enfim, pronto. Caso haja a necessidade de aprimorar a proteção, a tenda pode ser reforçada com blocos ou sacos de areia em volta.

+ Características

Esse modelo de tenda em concreto pode ter de vinte e cinco a cinquenta metros quadrados. Para instalações maiores, outras unidades devem ser adicionadas ao conjunto, até que se chegue ao tamanho desejado. Quando finalizada, a estrutura pode ser perfurada para receber a adição de novas portas, janelas, instalações elétrica e outros sistemas. Isso só é possível devido às fibras do material e às nervuras de reforço. Elas levam a um aumento, considerável, na resistência à tração, também evitam a propagação de fissuras e fazem a compressão parabólica – quando a concha for submetida a cargas não uniformes, pela ação do vento ou acúmulo de neve, por exemplo.

+ Vantagens e desvantagens

Embora haja benefícios, esse sistema ainda custa muito caro. Devido a pouca demanda do produto no mercado, o que impede a fabricação em larga escala, cada unidade sai na faixa de vinte e cinco mil reais. Mas, se seu material for comparado a uma edificação não temporária, ou seja, permanente, parece uma ideia até vantajosa. A estrutura em lona de concreto pode durar muitas décadas. Ela é resistente às intempéries, à abrasão e às erosões químicas. Além disso, pode proteger seus ocupantes de mais acontecimentos infelizes na vida, como serem atingidos por disparos de armas de fogo ou ficarem desabrigados novamente.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Maior roda gigante sem estrutura central é inaugurada na China

A Bailang Bridge Ferris Wheel possui 145 metros de altura e comporta 360 pessoas de uma vez

São Paulo – Uma roda gigante sem estrutura central foi inaugurada na China na última semana e é considerada a maior do mundo nesse formato.
Batizada de Bailang Bridge Ferris Wheel, a atração de 145 metros tem capacidade para transportar 360 pessoas e uma volta completa no brinquedo dura cerca de 30 minutos.
Construída na cidade de Weifang, província chinesa de Shandong, a roda gigante começou a ser erguida em 2016 e tem vista incrível para o rio Bailang.
Cada cabine comporta 10 pessoas e para quem ficar entediado durante o passeio, o brinquedo conta ainda com televisores e rede Wi-Fi.
A Bailang Bridge Ferris Wheel não é a maior roda gigante do mundo. A maior é a High Roller em Las Vegas, nos Estados Unidos, e possui quase 170 metros de altura. Ela, no entanto, possui estrutura central.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Com um projeto de interiores que extrapola os limites do prédio e se exibe para a cidade, a nova sede da OLX, no Rio de Janeiro, aposta em soluções estéticas e espaciais focadas na diversão e no convívio entre os funcionários

Interiores

SCAA. Rio de Janeiro. 2016

Carine Savietto

Revista aU - Edição 278 - Maio/2017

 
Durante o dia, o efeito passa despercebido. Ao cair da noite, no entanto, a atmosfera se transforma: realçado pela iluminação, o jogo de cubos coloridos que se revela entre o sétimo e o nono andar deste edifício comercial envidraçado ganha uma vibração surpreendente e atrai os olhares dos passantes, se envolvendo ativamente no cotidiano da cidade.
Trata-se da nova sede carioca da multinacional de classificados online OLX, concebida pelo escritório paulistano SCAA - Sergio Camargo Arquitetos Associados. O mote foi trocar dois endereços por um único espaço, que desse conta de acomodar os cerca de 400 funcionários do grupo e oferecesse a eles um ambiente de trabalho estimulante e, sobretudo, propício à troca de ideias.
A adoção do conceito de diversão no escritório seguiu o exemplo de diversas empresas de tecnologia, e era o ponto de partida da proposta. Dois escorregadores, uma piscina de bolinhas e uma generosa área reservada à descontração - com direito a mesas de sinuca, pebolim e carteado, além de tevês e videogames - fazem parte do programa, que ocupa 2,6 mil m² distribuídos em três pavimentos de um prédio corporativo recéminaugurado no Flamengo.
DIVERSÃO PARA ADULTOS
Levando em conta o complicado desenho da planta, a distribuição do programa privilegiou a setorização por andares, o que garantiu um fluxo mais organizado.
A entrada principal fica posicionada no pavimento central, que desempenha o papel de cartão de visitas do escritório e integra as áreas de lazer, descompressão e serviços, além de oferecer espaços para reuniões nos mais diferentes formatos, incluindo despojados conjuntos de sofá, casulos para bate-papos, telefonemas e videoconferências, salas convencionais e palco para apresentações.
Os outros dois pisos têm layouts idênticos entre si e são destinados a uma sequência de estações de trabalho totalmente abertas, sem salas exclusivas nem mesmo para a diretoria.
O principal desafio foi estabelecer uma comunicação rápida e fluida entre os três andares, daí a ideia de criar o conjunto com ares de playground, que se tornou uma das principais marcas do projeto: inspirado no logotipo da companhia, ele exigiu a abertura de grandes rasgos na laje dos dois pisos superiores do escritório e é composto de uma escada metálica roxa de dois lances, que se assemelha à letra O, somada a um par de escorregadores de fibra de vidro confeccionados sob medida, um verde remetendo ao L e um laranja representando o X.
Quem desce escorregando encontra, no fim do trajeto, uma piscina de alvenaria coberta com revestimento emborrachado preto e preenchida com milhares de bolinhas plásticas que repetem as três cores da marca. No percurso há luminárias tubulares de acrílico que pendem em alturas variadas.
CUBOS MÁGICOS
O pé-direito reduzido, com pouco menos de 3 m, levou à decisão de não se utilizar forro e manter as instalações aparentes para conseguir uma maior amplitude espacial. A novidade foi o tratamento cromático que as lajes nervuradas receberam: enquanto as grelhas foram pintadas de preto, o interior das cubetas ganharam 12 cores de tinta - separadas por quadrantes, cada uma das três tonalidades da marca foi decomposta em quatro matizes de diferentes intensidades. O efeito de profundidade foi reforçado pela iluminação direta e indireta. "De um problema, nós criamos um dos maiores diferenciais da proposta", ressalta Sergio Camargo.
A mesma paleta ainda está presente nas portas dos grandes conjuntos de lockers que atendem os funcionários, no piso têxtil flocado com fibras de náilon (semelhante a um carpete modular) e em alguns móveis posicionados em localizações estratégicas. A maior parte do mobiliário, porém, apresenta variações de cinza, criando um campo neutro sob a profusão de cores do teto. A mesma função cumprem os poucos pilares de concreto aparente presentes no escritório quase inteiramente envidraçado, mantidos sem acabamento.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Saiba tudo sobre reforço estrutural com fibra de carbono

Resistência à tração superior ao aço não garante a indicação do material. As vantagens do uso para reforço de estruturas de concreto dependem de avaliação sistêmica da situação

Por Revista téchine
Bruno Loturco
Edição 242 - Maio/2017

Reforço estrutural com fibra de carbono: o material apresenta resistência à tração quatro vezes superior ao aço
Por vezes, a capacidade de carregamento de uma estrutura de concreto não está adequada às solicitações às quais o elemento em questão está sujeito. A causa para tal situação pode ser variada. Em alguns casos, trata-se de uma patologia ocasionada por erros de projetos, erros de execução, utilização de materiais de baixa qualidade ou uma conjunção desses fatores, incluindo deterioração em razão do uso. Em outros, o que ocorreu foi uma alteração de finalidade da estrutura, com aumento de cargas, modificações estruturais, tais como aberturas em lajes e vigas para passagens, instalação de novos equipamentos, alteração de trem-tipo de pontes e viadutos etc.
Fibra de carbono como reforço estrutural: pode ser colada junto à estrutura original (EBR) ou inserida em lâminas (NSM)
Ou seja, a reavaliação estrutural é necessária sempre que há alteração de uso que impacte nos carregamentos, após algum tipo de sinistro e também quando, por meio de vistoria, é constatado que a estrutura não apresenta o desempenho esperado.
"É diferente, por exemplo, de uma correção de segregações (bicheiras) ou desagregações (ninhos de pedra)", afirma o engenheiro Alain Bertrand, integrante do CT 303 - Comitê Técnico de Concreto Reforçado com Fibras, que reúne representantes da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) e do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto). Nesses casos, muitas vezes solucionados com grauteamento, não há qualquer alteração no dimensionamento estrutural, apenas o restabelecimento do elemento estrutural à condição inicialmente prevista.
Divulgação / Furacon
A averiguação de necessidade do reforço estrutural se dá por meio da existência de flechas, fissuras e outras manifestações patológicas, conforme resume Bertrand. "O reforço estrutural é feito quando constatamos alguma falta de capacidade da estrutura de resistir aos carregamentos que lhe são impostos", diz. A afirmação vale tanto para a estabilidade estrutural - Estados Limites Últimos -, para as condições de uso - Estados Limites de Serviço - ou para ambos. Nesse caso, pontua ele, diferentemente dos reparos, todo o dimensionamento estrutural é refeito e os elementos de reforço são dispostos de acordo com o dimensionamento na quantidade, posicionamento e detalhamento específico para cada caso, conforme as necessidades indicadas na avaliação. "Definitivamente, é um processo bem mais complexo. O reforço se faz quando essa avaliação indica que a estrutura não apresenta a segurança requerida", resume Bertrand.
Qualquer que seja a causa da patologia, a forma de restabelecer a capacidade de carregamento esperada é por meio do chamado reforço estrutural. Há diversas maneiras de realizar o reforço de uma estrutura: por aumento de seção, colagem de chapas, protensão, uso de perfis metálicos, dentre outros. De acordo com Bertrand, tradicionalmente esses reforços são feitos com chapa de aço colada externamenexternamente na estrutura, podendo ser realizado também o envelopamento da seção com complemento de armadura ou, como tem sido comum em obras de arte especiais, o acréscimo da seção na face superior, a chamada sobrelaje, reforçada com protensão externa, além de modificação das condições ou posições do apoio, dentre outras intervenções. "A adoção de uma ou mais soluções associadas depende muito da criatividade e da experiência do projetista, mas é importante que seu resultado seja o acréscimo de resistência da estrutura no patamar adequado, de forma confiável, com durabilidade compatível à vida útil da obra, exequível, em orçamento e prazos adequados", salienta Bertrand.
Características da fibra de carbono
Respeitadas as observações do representante do CT 303 acerca da metodologia de reforço estrutural a ser adotada, os reforços com fibras de carbono são mais uma opção de tecnologia à disposição do calculista na hora de definir a solução. Segundo ele, a fibra de carbono apresenta resistência à tração aproximadamente quatro vezes superior ao aço. "O reforço, na realidade, não se faz apenas com a fibra, mas com um compósito formado pelas fibras de carbono imersas em uma matriz polimérica, que pode ser pré-moldada ou moldada in loco", diz.
Utilizadas de forma isolada ou associadas a alguma outra técnica, as fibras de carbono podem ser aplicadas coladas junto aos elementos estruturais, na técnica conhecida como EBR (Externally Bonded Reinforcement), ou por meio da inserção de laminados, técnica conhecida como NSM (Near Surface Mounted), conforme explica Alberto Libânio, diretor-presidente na Furacon Sistemas de Cortes e Perfurações em Concreto. "As fibras são coladas na região tracionada de vigas e lajes submetidas à flexão, embora possam ser utilizadas para reforço de pilares por confinamento", diz Thomas Garcia Carmona, diretor da Carmona Soluções de Engenharia.
Em ambos os casos, a fibra de carbono, fornecida em rolos, é aplicada sem a necessidade de transpasses. Com isso, além de não impactar significativamente na arquitetura - já que não acarreta em acréscimo das seções dos elementos estruturais -, tem aplicação bastante simplificada. "A fibra de carbono apresenta elevada resistência à tração e módulo de elasticidade semelhante ao do aço. A sua principal vantagem é a relativa facilidade, velocidade e limpeza na instalação", explica Carmona.
Além disso, o uso de fibra de carbono para reforço estrutural de elementos de concreto não aumenta o peso próprio da estrutura e dispensa o uso de escoramentos. Assim, lembra Bertrand, "as condições de execução muitas vezes também são decisivas para a utilização da solução". Entretando, ressalta Carmona, "o seu uso é restrito aos casos nos quais a armadura existente é capaz de resistir às solicitações em ocorrências de incêndio e às seções cujo dimensionamento é comandado pelo escoamento da armadura, conhecido como domínios 2 e 3".
Custo sistêmico
Analisado isoladamente e apartado do contexto da patologia, o custo da fibra de carbono pode parecer elevado. Afinal, conforme explica Libânio, "os fios das fibras de carbono são produzidos com tecnologia de ponta e comercializados para diversos países que produzem as telas, mantas e laminados. Esses produtos são em grande parte importados", diz. Entretanto, ele afirma que, desde o fim da década de 80, a produção no mundo aumentou de maneira exponencial e, como consequência, houve uma redução maior de custos.
Mesmo no que diz respeito à aplicação, os custos costumam ser mais elevados, comenta Bertrand. "Há tecnologia e processos ligados às fibras, às resinas, à aplicação que são mais delicados do que a maioria dos processos na construção civil", explica. Entretanto, continua ele, a análise de custos de um reforço estrutural não pode ser feita de forma isolada. "É preciso analisar o custo da solução com esse sistema de maneira global e, nesse caso, o custo do reforço com esses elementos é muitas vezes bastante competitivo, senão mais barato", assegura. Resumidamente, é preciso entender a intervenção como uma solução sistêmica. "Deve-se analisar cada técnica dentro de um projeto de reforço, onde devem ser estudadas variáveis como o ambiente no qual o elemento estrutural será reforçado, prazo para a sua execução, mão de obra utilizada", explica Libânio.
Para Bertrand, entender o custo de cada solução depende de cada obra. "Em alguns casos a solução com fibras de carbono é bem mais econômica, em outros a solução seria economicamente inviável e, em outros, poderia não ser tecnicamente viável. É necessário realizar uma avaliação caso a caso", ressalta.
Para melhor entendimento, ele exemplifica uma situação de necessidade de reforço estrutural. No caso fictício em questão, teria havido uma falha no dimensionamento ou alteração de uso na laje de um edifício comercial com laje plana. O reforço com fibras de carbono se faria, portanto, por meio da remoção parcial do forro, tratamento superficial do concreto e colagem das lâminas na face inferior, com posterior recomposição do forro. Soluções mais tradicionais, em comparação, levariam a acréscimo de seção de concreto com necessidade de armadura complementar e consequente carga adicional tanto na estrutura quanto nas fundações, além da necessidade de utilizar concreto projetado. "Apenas considerando a questão da interdição da obra para execução do reforço, muitas vezes já indicaria a fibra de carbono como uma solução mais adequada", afirma. Afinal, é uma solução que não interfere na arquitetura e proporciona agilidade, fatores fundamentais na tomada de decisão.
Vantagens da fibra de carbono para reforço estrutural
Reduzido peso específico
Fácil transporte e manuseio
Elevados valores de resistência à tração
Elevado módulo de elasticidade
Com pequenas quantidades de reforço, aumenta a capacidade de carga dos elementos estruturais
Não produz acréscimo de carga às fundações
Pouco impacto arquitetônico, devido à reduzida espessura
Em reforço de viadutos, a não interdição do tráfego e a rapidez da aplicação
Fonte: Alberto Libânio, diretor-presidente da Furacon Sistemas de Cortes e Perfurações em Concreto
Em outro exemplo fictício, Bertrand sugere a necessidade de reforço estrutural de pontes. A quantidade de reforço necessária é muito maior, com consumo muito elevado de material para contemplar o reforço necessário. "Como a estrutura é aparente e o impacto de uma sobrelaje ou de um cabo de protensão externo é muito menor, essas alternativas normalmente se mostram mais adequadas", considera. Ainda assim, lembra ele, "o que se faz algumas vezes é a complementação do reforço com algum elemento em fibras de carbono".
A viabilização de uso de um material com custo à primeira vista mais elevado se dá, portanto, a partir da avaliação de uma série de fatores. "Essa opção se justifica quando podemos desfrutar de todas as suas qualidades", resume Bertrand. E dentre as vantagens apresentadas pela fibra de carbono para reforço estrutural estão maior resistência por quantidade de material, manutenção do partido arquitetônico, manutenção do uso durante a execução da obra, execução em prazo compatível com o necessário. "Por vezes, faz-se necessário avaliar a fragilização da estrutura durante o processo de reforço ou a urgência para a manutenção da segurança", lembra o representante do CT 303. "É preciso observar o custo de uma obra dessas com todos os impactos pertinentes e, aí sim, avaliar o custo do sistema utilizado para o reforço", conclui Bertrand.
Considerando todos esses argumentos para justificar a opção ou não pela fibra de carbono, Carmona alerta sobre a prescrição de reforços em situações nas quais a técnica não é recomendável, implicando até mesmo risco aos usuários. De acordo com ele, é imprescindível, se for necessário reforço estrutural, consultar empresas e profissionais especializados. A aplicação indevida de reforços com fibra de carbono tem sido feita, diz ele, em situações que nem sequer exigiriam reforço. "É um modismo de aplicadores e projetistas inescrupulosos que gera custos desnecessários aos proprietários ou construtoras", revela Carmona. "Da mesma forma que se faz auditoria do projeto estrutural de obras novas, é extremamente recomendável que seja feita auditoria dos projetos de reforço", afirma.
Formas de aplicação de fibras poliméricas para reforço estrutural
Tecidos com fibras de carbono que são impregnados pela resina na obra no momento em que são colados à estrutura
As lâminas (réguas) pré-moldadas que são impregnadas de fibra no seu processo de fabricação tornam-se elementos rígidos e então são coladas à estrutura com resina epóxi
As lâminas (réguas) protendidas, que basicamente são réguas pré-moldadas, são pré-tracionadas com o uso de um dispositivo especial e então coladas à estrutura
Durante a construção, pode-se utilizar fibras misturadas ao concreto na fase de dosagem, e a utilização de barras como armaduras não metálicas em substituição ao aço
Divulgação Furacon
Fonte: Alain Bertrand, integrante do CT 303 - Comitê Técnico de Concreto Reforçado com Fibras, que reúne representantes da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) e do Ibracon (Instituto Brasileiro do Concreto)
Obras emblemáticas
Viaduto de Santa Teresa, em Belo Horizonte: primeira obra reforçada com essa tecnologia no Brasil, em 1998
Edifício dos Correios no Rio de Janeiro: recebeu um reforço com fibras protendidas quando implantaram vidros à prova de balas
Estádio do Maracanã: para a Copa de 2014 recebeu reforços com fibras de carbono, solução utilizada em razão do prazo. Trata-se de uma das maiores aplicações de mantas, laminados e telas de fibras de carbono em todo o mundo, com pelo menos 14 mil m² comercializados em telas para reforço em pilares e nas arquibancadas. Além disso, temos a aplicação de laminados para as vigas "PI" que suportavam as arquibancadas, bem como mantas com módulos de elasticidade entre 240 e 640 GPa, esta última para reforço ao cisalhamento
Divulgação
Fontes: Alberto Libânio e Alain Bertrand
Normalização internacional
Uma vez que, conforme conta Carmona, não existem normas nacionais que tratem do reforço de estruturas de concreto com o uso de fibra de carbono, os projetistas brasileiros recorrem a normalizações internacionais para pautar seus projetos. Os textos que servem de referência no Brasil são o Bulletin 14 e o CEB/FIB, da Europa, e o ACI440, dos Estados Unidos.
Atualmente, no entanto, o CT 303 está dividido em quatro grupos de trabalho que, como conta Bertrand, visam apresentar textos-base para as normas junto à ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). "O GT2, que trata do reforço de estruturas existentes de concreto, paralisou seus trabalhos no ano passado com a triste perda do engenheiro Fernando Relvas que o coordenava", diz, ao explicar que, no momento, o grupo está retomando suas atividades para dar continuidade ao trabalho. "Há ainda um longo caminho a ser percorrido e seria muito importante que os colegas interessados entrassem em contato com a Abece para colaborar e participar das discussões, e então chegarmos a um texto-base o mais abrangente possível", convida Bertrand.
Ensaios de desempenho
Carmona explica que a fibra é testada fundamentalmente quanto à sua resistência à tração e ao módulo de elasticidade. No caso dos adesivos, uma série de propriedades é avaliada, tais como tempo de manuseio e cura, resistência à tração, cisalhamento etc. Bertrand afirma ser importante caracterizar o material quanto à resistência à tração, mas principalmente quanto ao módulo de elasticidade, que é determinante no dimensionamento estrutural. "Infelizmente, no Brasil são raros os ensaios de controle das propriedades da fibra e das resinas. Trabalhamos com certificados de procedência e os ensaios de controle do fabricante", diz Carmona. Libânio lamenta que poucos laboratórios no Brasil realizem ensaios dos materiais em fibras, sendo preciso, muitas vezes, confiar apenas nos resultados dos fabricantes. "Porém, podem-se ensaiar corpos de prova de laminados utilizando a Norma ISO-527 para obtenção da resistência à tração, deformação específica e módulo de elasticidade", recomenda. "Aplicado, o reforço com fibras apresenta como ponto crítico a aderência à estrutura", diz Bertrand. Logo, o que se costuma fazer em obra é o ensaio de arrancamento, garantindo a qualidade do substrato. "Por isso, é sempre desejável que a ruptura seja no substrato de concreto, indicando perfeita aderência do sistema", explica Carmona.
Conexão entre dois apartamentos
Ampliação de seção de concreto
Em edifício residencial foi necessário realizar uma abertura para a colocação de escada de acesso entre dois apartamentos. Devido a questões relativas ao cálculo, foi preciso ampliar também a seção de concreto e, portanto, foi realizado aumento de seção pela face superior e instalação de fibra de carbono na face inferior.
Escada de acesso
Abertura de seção em laje pede cuidado
Em um edifício residencial de alto padrão foi preciso realizar uma abertura para colocação de escada de acesso entre dois apartamentos. Os gráficos de momento indicam concentrações de esforços na região da abertura, criando a necessidade do reforço. O sistema estrutural era em laje plana de concreto armado. A aplicação foi feita com o apartamento em uso e contornando interferências com instalações hidráulicas e elétricas.
Aumento de pé-direito
Diminuição da altura das vigas exige tratamento especial
Para ganhar altura de pé-direito no primeiro pavimento, o projetista diminuiu a altura das seis vigas existentes - de 70 cm para 55 cm. Para compensar a perda de seção, aumentou a bitola do aço. Contudo, o resultado não foi o esperado e, com pouco tempo, ainda na fase de acabamento da obra, começaram a aparecer inúmeras fissuras nas vigas. Algumas eram bem visíveis e outras começavam a se pronunciar, com a possiblidade de ficarem maiores com o tempo. Com o aumento de carga no terceiro piso, as fissuras aumentaram e, numa vistoria mais rigorosa, foram encontradas dezenas de fissuras e microfissuras em todas as vigas. A incidência desse tipo de patologia se deu até mesmo na área junto aos pilares, onde o esforço de cisalhamento é muito maior e o reforço das ferragens deveria compensar o acréscimo de carga sem a aparição dessas fissuras. Como a ideia inicial era diminuir a altura das vigas para ganhar um pédireito maior, o proprietário decidiu, em conjunto com a consultoria, aplicar lâminas de aço carbono em quase toda a extensão das vigas. Isso permitiu eliminar as fissuras provocadas pela falta de reforço da ferragem. Mantas de aço carbono nas extremidades reforçam o cisalhamento junto ao pilar. Nesse momento, a Furacon entrou no processo, lixando a parte inferior das vigas para deixar os agregados aparentes, corrigindo com resina apropriada as bicheiras e as deformidades encontradas, para que o fundo da viga ficasse o mais plano possível. "Isso feito, preparamos a resina, pesando e conferindo cada item dessa receita, que foi processada em misturador mecânico acoplado à furadeira comum", lembra Alberto Libânio, diretor-presidente da Furacon. "Criamos um gabarito de madeira para a aplicação da resina na régua de aço carbono e, em seguida, com todo o cuidado, colamos a régua no fundo da viga", diz. Quando todas as réguas estavam presas, a Furacon aplicou a resina apropriada para a colagem da manta nas extremidades das vigas e iniciou a fixação. Libânio conta que, após a aplicação da manta sobre a resina e depois de alguns minutos de espera, outra demão de resina foi aplicada sobre a manta. Esse procedimento ocorre sucessivamente "até percebermos que a quantidade de resina já é suficiente para um ótimo resultado no trabalho", pontua. "Devemos observar que cada demão de resina deve ser passada em sentido atravessado em relação à demão anterior", comenta.
Identificação dos defeitos e das bicheiras
Aplicando a resina de colagem com a utilização do gabarito
Colagem da régua de aço carbono
Corte da manta do tamanho adequado
Aplicação da manta nas extremidades das vigas
Manta esperando a próxima demão de resina
DADOS TÉCNICOS
Prédio comercial de três andares com um mezanino entre o pavimento térreo e o 1º pavimento. Área total em torno de 1.200 m². Material utilizado para reforço: Laminetes CFK 150/2000 - resina epóxi 220 (régua); manta C-Sheet 240 (300g/m²) FSRC; resina epóxi 230 (massa de regularização) para o fundo das vigas; resina epóxi 55 para impregnação da manta

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A megausina de energia solar encravada no deserto que pretende abastecer a Europa

Postado por: Indústria Hoje em 7/maio/2017

A enorme usina de energia solar fica ao pé da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate

energia solar


O micro-ônibus atravessa um enorme planalto em uma estrada recém-pavimentada do deserto de Marrocos. O chão é de terra seca e está cheio de rachaduras.

Ainda assim, a região não parece tão desolada quanto já foi no passado. Neste ano, ela virou o lar de uma das maiores usinas solares do mundo.

Centenas de espelhos cruzados, cada um deles maior que um ônibus, estão enfileirados cobrindo 1,4 quilômetro quadrado de deserto, uma área do tamanho de 200 campos de futebol.



O enorme complexo está em um local ensolarado ao pé da cordilheira do Atlas, a 10 km de Ouarzazate, uma cidade cujo apelido significa “porta do deserto”. Com cerca de 330 dias de sol por ano, é o lugar ideal.

Além de suprir as demandas domésticas de energia, o Marrocos espera um dia poder exportar energia solar à Europa. Essa usina tem o potencial para ajudar a definir o futuro energético da África e do mundo.

usina energia solar

usina energia solarNo dia da visita da reportagem da BBC, porém, o céu estava coberto de nuvens. “Nenhuma eletricidade será produzida hoje”, disse Rachid Bayed, da Agência Marroquina de Energia Solar (Masen, na sigla em inglês), responsável por implementar o projeto.

Um dia de “folga” não os preocupa. Atualmente, a energia solar está sendo adotada por vários países que passaram a vê-la como a mais abundante fonte de energia limpa.

Essa usina marroquina é apenas uma entre várias outras na África, e outras parecidas estão sendo construídas no Oriente Médio, na Jordânia, nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita. O custo cada vez menor da energia solar a tornou uma alternativa viável mesmo nas regiões mais ricas em petróleo do mundo.

Noor 1, a primeira fase da usina marroquina, já ultrapassou expectativas em termos de quantidade de energia produzida. É um resultado encorajador para o objetivo do Marrocos de reduzir a produção de combustíveis fósseis ao focar em energias renováveis e ainda assim atender às necessidades domésticas, que crescem em 7% todos os anos.

A estabilidade do governo e da economia do Marrocos ajudou o país a conseguir investimento da União Europeia, que financiou 60% dos custos do projeto Ouarzazate.

O país planeja gerar 14% de sua energia através do sol até 2020 e acrescentar outras fontes renováveis como vento e água ao plano com o objetivo de produzir 52% de sua própria energia até 2030.

Isso torna o Marrocos mais ou menos alinhado com países como o Reino Unido, que quer gerar 30% de sua eletricidade através de energias renováveis até o fim da década, e os Estados Unidos, onde o ex-presidente Barack Obama havia determinado índice de 20% até 2030.

Donald Trump ameaçou cortar o financiamento às energias renováveis, mas talvez suas ações não tenham grande impacto, já que muitas políticas são controladas por Estados e que grandes companhias já começaram a adotar fontes mais limpas e baratas.

Os refletores da usina geralmente podem ser ouvidos enquanto eles se movem para seguir o sol como um campo gigantesco de girassóis. Os espelhos filtram a energia do sol e esquenta um óleo sintético que segue por uma rede de canos.

As temperaturas podem chegar a 350ºC e o óleo quente é usado para produzir vapores de água em alta temperatura, alimentando um gerador movido a turbinas. “É o mesmo processo dos combustíveis fósseis, só que usamos o calor do sol como fonte”, diz Bayed.

A usina continua gerando energia mesmo após o pôr do sol, quando a demanda chega ao pico. Parte dessa energia é guardada em reservatórios feitos de nitrato de sódio e potássio, o que mantém a produção por até mais três horas. Na próxima fase da usina, a produção continuará por até oito horas após o sol se pôr.

energia soldar marrocos

Além de aumentar a produção de energia do Marrocos, o projeto Ouarzazate está ajudando a economia local. Cerca de 2 mil funcionários foram contratados durante os dois anos iniciais da construção, sendo que muitos deles são marroquinos.

Estradas foram construídas para criar acesso à planta e conectá-la às cidades mais próximas, ajudando as crianças a chegar até a escola. Além disso, uma grande quantidade de água foi levada ao complexo através de encanamentos, dando acesso a água para mais 33 vilarejos.

Masen também ensinou práticas sustentáveis a fazendeiros da área. No pequeno vilarejo de Asseghmou, a 48 km da cidade de Ouarzazate, a forma como ovelhas são criadas mudou.

A maioria dos fazendeiros ali dependiamm apenas de sua experiência, mas agora estão entrando em contato com técnicas mais confiáveis, como simplesmente separar os animais em suas gaiolas, o que está aumentando a produtividade.

A Masen também doou ovelhas para criação a 25 fazendas. “Agora eu tenho mais segurança nos alimentos”, diz Chaoui, dono de uma fazenda local. E sua amendoeira está prosperando graças às dicas de cultivo.

Ainda assim, alguns locais se preocupam com a usina. Abdellatif, que viva na cidade de Zagora, 120 quilômetros ao sul dali, onde há taxas mais altas de desemprego, acha que Masen deveria se concentrar em criar empregos permanentes.

Ele tem amigos que foram contratados para trabalhar lá, mas apenas por alguns meses. Uma vez que entrar em operação total, a usina empregará entre 50 e 100 funcionários, apenas. “Os componentes da usina são feitos no exterior, mas seria melhor produzi-los aqui para gerar trabalho contínuo para os moradores locais”, diz.

Um problema maior é a enorme quantidade de água que a usina utiliza da represa de El Mansour Eddahbi. Nos últimos anos, a escassez de água tem sido um problema na região semidesértica e houve cortes no fornecimento.

A agricultura ao sul do Vale Draa depende da água da represa – ocasionalmente despejada no rio local, que geralmente é seco. O coordenador da usina, Mustapha Sellam, diz que a água usada pelo complexo representa 0,05% do abastecimento, pouco comparado à sua capacidade.

Ainda assim, o consumo da usina é o bastante para fazer uma diferença na vida dos fazendeiros locais, que já enfrentam dificuldades. É por isso que a usina está tentando reduzir a quantidade de água que consome, utilizando ar pressurizado para limpar os espelhos.

Além disso, a água usada para resfriar o vapor produzido pelos geradores é reutilizada para produzir mais eletricidade.

Há novas sessões da usina em construção no momento. A Noor 2 será parecida com a 1, mas a 3 terá um design diferente. Em vez de espelhos enfileirados, ela vai capturar e guardar a energia solar através de uma torre única, que acredita-se ser mais eficiente.

Sete milhares de espelhos retos serão dispostos ao redor da torre para capturar e refletir os raios de sol em direção a um capturador no topo dela, usando menos espaço do que as filas de espelhos exigem hoje. Sais derretidos no interior da torre vão capturar e armazenar o calor diretamente, sem a necessidade do óleo quente.

Sistemas parecidos já estão em uso na África do Sul, na Espanha e em alguns lugares nos Estados Unidos, como no deserto Mojave, na Califórnia e em Nevada. Mas, com uma altura de 26 metros, a estrutura de Ouarzazate será a mais alta do tipo no mundo inteiro.

energia solar marrocos

Outras usinas similares estão em construção no Marrocos. O sucesso dessas usinas no Marrocos e na África do Sul podem incentivar outros países africanos a adotar a energia solar.

A África do Sul já entrou na lista dos dez maiores produtores de energia solar do mundo, e Ruanda tem a primeira usina do tipo no leste africano, criada em 2014. Há também planos de construção de usinas solares em Gana e Uganda.

O sol da África pode um dia transformar o continente em um exportador de energia para o resto do mundo. Ao menos Sellam tem grandes expectativas em relação a Noor. “Nosso principal objetivo é a independência energética, mas, se um dia estivermos produzindo a mais, podemos suprir outros países”, diz.

BBC BRASIL.com