sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ficar ou não no Brasil, o grande dilema do investidor estrangeiro

Postado por: Vivian Fiorio em: 6, Aug, 2015

Por Indústria Hoje
A queda dos preços das commodities e um aumento iminente das taxas de juros nos EUA têm causado estragos em muitas moedas e títulos de dívida de países emergentes.
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Ser investidor de mercados emergentes, atualmente, não tem graça nenhuma.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s Ratings Services rebaixou o panorama econômico do Brasil de “estável” para “negativo”, um reflexo da contínua dificuldade do país em colocar suas finanças nos trilhos. Pela avaliação da S&P, o Brasil atualmente está no patamar mais baixo de grau de investimento.Em nenhum lugar esse golpe tem sido sentido de forma mais intensa que no Brasil, onde o banco central elevou novamente os juros na semana passada num esforço de domar os altos níveis de inflação.
O real despencou 27% em relação ao dólar este ano, até agora. O dólar fechou o mês de julho cotado a R$ 3,42, o maior valor em 12 anos.
Alguns investidores estão cortando as amarras com o país e fugindo, enquanto outros mantêm suas posições.
“Nós interpretamos mal o Brasil. Acreditamos que as autoridades iriam fazer o suficiente para evitar um rebaixamento”, diz Richard House, gestor da divisão de dívida de mercados emergentes da Standard Life Investments. Ele começou a comprar títulos soberanos brasileiros emitidos em dólar no início deste ano, mas acabou se desfazendo dos papéis no fim de julho. House agora acredita que é só uma questão de tempo para que o Brasil perca o seu grau de investimento.
“Tínhamos muita confiança que eles fariam a coisa certa fiscalmente. Eles não fizeram. E acabaram de perder credibilidade aos olhos dos investidores”, diz House, cuja empresa administra 246 bilhões de libras esterlinas (US$ 384 bilhões) em ativos.
Viktor Szabo, um gerente sênior de investimentos da Aberdeen Asset Management, diz que tem sido “muito doloroso” para os investidores manter suas posições no Brasil. Ele avalia que há uma boa chance de o país ser rebaixado para o grau de alto risco no próximo ano.
“Há tanto barulho na política, que isso está aumentando a dificuldade de um ajuste fiscal”, diz Szabo, cuja empresa administra uma carteira de mais de quase 307 bilhões de libras em ativos. “O ajuste do Brasil é extremamente doloroso.”
Mesmo assim, ele ainda detém títulos de dívida do governo em moeda local.
O rendimento dos títulos de 10 anos em reais estava em 13,2%, de acordo com dados da Thomson Reuters, em comparação com 12,3% em 21 de julho. O rendimento dos títulos sobe na direção oposta aos preços dos papéis.
“Nós não estaríamos vendendo neste nível. Eu começo a ver valor”, diz Szabo, ressaltando comentários da liderança do banco central de que este seria o último aumento da taxa de juros do ciclo atual.
Paul McNamara, gestor de portfólio da GAM Holding, diz que o Brasil tem sido o principal assunto da mesa em que ele opera. Ele está mantendo sua exposição ao Brasil em linha com a ponderação do índice.
“A economia está desacelerando acentuadamente, e um monte de coisas estão indo na direção errada. Mas, com a queda esmagadora na demanda doméstica reduzindo as importações, acreditamos que os dados da balança de pagamentos passarão por uma correção, por isso vale a pena manter alguma exposição no Brasil”, diz McNamara, cuja empresa administra US$ 130 bilhões em ativos.
Alguns gestores acreditam que a onda de vendas está produzindo uma oportunidade de compra. Gareth Isaac, um gestor de fundos da Schroders PLC, diz que gosta do Brasil, por causa do alto rendimento dos títulos de dívida em moeda local. “Está parecendo mais interessante”, diz ele.
E a economia brasileira “está em boa forma”? Não. Você está sendo recompensado (com os juros) em 13,5%? Sim”, diz Isaac, cuja empresa administra US$ 474 bilhões em ativos.
Fonte: Exame

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