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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Engenheira brasileira vence concurso mundial com projeto que pode ajudar a garantir água potável no futuro


A brasileira Nadia Ayad viu sua vida mudar no último ano. Entre as conquistas de 2016, estão a sua formatura em engenharia de materiais pelo IME (Instituto Militar de Engenharia), no Rio de Janeiro, e um outro troféu bem mais difícil de ser conseguido: o primeiro lugar no desafio mundial Sandvik, conhecido como Desafio do Grafeno.
O desafio estimulava pessoas do mundo inteiro a apresentar ideias inovadoras para o uso do grafeno de forma sustentável em residências. A ideia de Nadia foi usar o material, um composto à base de carbono 200 vezes mais resistente do que o aço, em dispositivos de filtragem e sistemas de dessalinização, buscando oferecer água potável diretamente nas moradias.
Segundo o site do desafio, “a solução reduziria significativamente os custos de energia e a pressão sobre os atuais fornecedores com a ‘reciclagem de água’.“. Ou seja, ela foi capaz de criar um processo mais barato, sustentável e eficaz para o uso de água filtrada nas residências, o que rendeu o prêmio.
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Nadia já realizou um intercâmbio na Inglaterra durante a graduação através do programa Ciência Sem Fronteiras. Agora, ela quer voltar ao país, graças aos muitos recursos para a ciência encontrados por lá.  Foi também no Reino Unido que ela realizou seu primeiro estágio internacional, na Imperial College London, trabalhando no desenvolvimento de um polímero capaz de substituir válvulas cardíacas.
Até o momento, a jovem já aplicou para instituições dos Estados Unidos e Inglaterra e acredita que a experiência vivida no Brasil e no exterior poderão ajudar ela a entrar diretamente no doutorado, sem passar por um mestrado. Seu novo projeto é tão ambicioso quanto os anteriores: ela pretende pesquisar o uso de biomateriais que induzam células-tronco a formar tecidos semelhantes aos das cartilagens em versão 3D, segundo informa o Geledés. Alguma dúvida de que ela vai conseguir?

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Morre aos 74 anos Carlos Bratke, arquiteto de 60 projetos da Avenida Berrini, em São Paulo

Profissional foi ainda presidente do IAB entre 1992 e 1993 e diretor do Museu da Casa Brasileira entre 1992 e 1995

Luísa Cortés, do Portal PINIweb
10/Janeiro/2017

Divulgação: CAU/BR
Faleceu na última segunda-feira (9), aos 74 anos, o arquiteto e urbanista Carlos Bratke, responsável por 60 projetos construídos na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, em São Paulo, o que corresponde a uma área aproximada de 650 mil m². Entre as premiações já concedidas ao profissional, estão o Prêmio AsBEA - Edifícios Institucionais em 2006, e o Prêmio Conjuntos de Edifícios Corporativos, na XI Bienal Internacional de Arquitetura, realizada em Buenos Aires, em 2007.
Bratke também projetou a Igreja São Pedro e São Paulo; a Casa do Arquiteto, no Morumbi; e o Parque do Povo. O arquiteto conta com obras suas espalhadas pelos estados do Rio de Janeiro, Mato Grosso, Pará, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Amazonas, Ceará e Brasília, e por países como Estados Unidos, Uruguai, Israel e México, além do Brasil.
Nascido em 20 de outubro de 1942, formou-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, e era pós-graduado em Planejamento e Evolução Urbana pela Universidade de São Paulo (USP). Atuou como vice-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) durante os anos de 1988 e 1989, e como presidente da entidade entre 1992 e 1993. Também foi diretor do Museu da Casa Brasileira (MCB) entre 1992 e 1995 e presidente da Fundação Bienal de São Paulo entre 1999 e 2002.
Em entrevista concedida à revista AU em 2009, o arquiteto criticou a geração anterior à sua, mas demonstrou ver com otimismo o rumo da profissão no Brasil. "Passou uma fase muito ruim, que foi a geração que sucedeu à minha. Os arquitetos tinham muita teoria, criticavam tudo, mas não produziam nada. Hoje esse pessoal está todo encostado no governo. Mas essa geração que está aí agora é de prática profissional mesmo, está entrando na luta pra valer", declarou, na época. 
Em nota, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) lamentou a morte de Bratke. "Muito entristece a impossibilidade abrupta de convívio com colegas como o Carlos Bratke - sempre atentos às questões mais importantes da profissão, sempre disponíveis quando chamados a contribuir para o desenvolvimento da Arquitetura e do Urbanismo com seus conhecimentos técnicos, sua cultura vasta, sua inteligência sem pretensão", declarou Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR.
Pinheiro lembrou ainda a importância do arquiteto para a criação da entidade e para o fortalecimento da categoria no país. "Em 2003 [Bratke] foi um dos 35 primeiros arquitetos a assinar o manifesto em favor da criação do CAU, ao lado de Oscar Niemeyer, Nestor Goulart, Lelé, Paulo Mendes da Rocha, Severiano Porto, Joaquim Guedes e tantos outros importantes líderes da nossa profissão. Em 2012, participou de uma das primeiras reuniões plenárias do CAU/BR, debatendo conosco sobre o futuro da Arquitetura e deixando gravada sua contribuição para a organização do CAU. Em vida, recebeu prêmios e distinções diversas, merecidamente. Pelo conjunto de sua obra e importante contribuição à profissão, em 1999 recebeu o 'Grande Colar de Ouro' - comenda maior do Instituto de Arquitetos do Brasil".
Gilberto Belleza, presidente do CAU/SP, também demonstrou pesar com a notícia. "Perdi um amigo, a Arquitetura brasileira um de seus grandes nomes e os arquitetos e a profissão um dos seus grandes defensores".
Veja mais projetos de Carlos Bratke, publicados na Revista AU:

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Turbina inovadora gera energia barata com ondas do mar

Por Redação do Site Inovação Tecnológica -  

Turbina inovadora tentará gerar energia barata com ondas do mar
O protótipo para testes tem 42 metros de comprimento e 80 toneladas. [Imagem: Opera/Luis Angel Gomez]
Energia das ondas
Começou, no litoral da Espanha, o teste de mais uma tecnologia objetivando gerar eletricidade limpa e sustentável explorando as ondas do mar.
O projeto Opera, financiado pela União Europeia, lançou ao mar o primeiro protótipo do gerador Marmok, um novo tipo de gerador cujas turbinas podem gerar até 30 kW cada uma. O segundo protótipo deverá ser ancorado no mesmo local em 2017.
O dispositivo é descrito por seus idealizadores como um "absorvedor pontual" baseado no princípio da coluna de água oscilante - a força vem das ondas do mar, mas as turbinas são giradas por ar.
Trata-se de uma grande boia flutuante, com 5 metros de diâmetro, 42 metros de comprimento e 80 toneladas de peso. A boia, que acomoda duas turbinas com capacidade nominal de 30 kW, fica quase inteiramente submersa.
Turbina inovadora tentará gerar energia barata com ondas do mar
A força vem das ondas do mar, mas as turbinas são giradas por ar. [Imagem: Opera/Divulgação]
As ondas capturadas criam uma coluna de água dentro da estrutura central da boia, estrutura esta que se move como um pistão pelo movimento de ida e volta das ondas, comprimindo e descomprimindo o ar em uma câmara na parte superior do dispositivo.
O ar é então expelido pelo topo, onde é aproveitado por uma ou mais turbinas, cuja rotação aciona o gerador de eletricidade.
"Este projeto colaborativo europeu de demonstração da energia das ondas irá produzir dados importantes, que permitirão a próxima fase de comercialização da produção de energia a partir do oceano," disse Lars Johanning, da Universidade de Exeter e principal pesquisador do projeto.
Turbina inovadora tentará gerar energia barata com ondas do mar
O projeto vai aproveitar os sistemas de amarração compartilhados usados há muito tempo nas fazendas de aquicultura, onde reduzem os custos de ancoragem em quase 50%. [Imagem: Opera/Divulgação]
A propósito, um dos grandes argumentos da equipe é que este dispositivo deverá produzir eletricidade a um custo muito baixo - eventualmente o menor custo dentre os vários projetos de geração de energia no mar atualmente em testes na Europa, envolvendo exploração das ondas, das marés e das correntes oceânicas.
A grande diferença é que trata-se de um projeto público, com dados compartilhados entre pesquisadores de várias universidades, enquanto a maioria dos outros testes são empreendimentos privados, o que torna virtualmente impossível dispor de dados confiáveis que permitam comparar as diversas tecnologias e traçar planos de longo prazo para a geração sustentável de energia.
Turbina inovadora tentará gerar energia barata com ondas do mar
As turbinas ficam na horizontal, acima da coluna d'água, facilitando muito a manutenção. [Imagem: Opera/Divulgação]

No geral, o projeto Opera pretende desenvolver tecnologias que permitam uma redução de 50% nos custos operacionais em mar aberto, acelerando assim o estabelecimento de padrões internacionais e reduzindo as incertezas tecnológicas e os riscos técnicos e empresariais para adoção da tecnologia em larga escala.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Técnica de execução poupa desvios e interdição total das vias durante as obras dos monotrilhos em São Paulo

Possibilidade de impor maior precisão às vigas e de controlar previamente a qualidade da execução também foram determinantes para a escolha do concreto pré-moldado

Publicado por PiniWebPor Alberto Mawakdiye
Edição 65 - Novembro/2016

FOTO: REPRODUÇÃO METRO-SP

Principal obra pública em execução em São Paulo, mas com o seu cronograma bastante atrasado, o sistema de monotrilhos que cortará, com duas linhas férreas elevadas, trechos da zona leste e da zona sul da cidade está provando, de qualquer modo, que o uso do concreto pré-moldado é realmente o ideal para projetos desse tipo em grandes e congestionados centros urbanos.
Tanto na Linha 15-Prata - que em um primeiro momento ligará os bairros de Ipiranga e Sapopemba, em uma extensão de 13 km (já tem um pequeno trecho em operação) - como na Linha 17-Ouro, cujos 8 km iniciais ligarão o bairro do Morumbi ao Aeroporto de Congonhas, as obras estão se desenvolvendo com pouquíssimas interferências no tráfego de veículos e pedestres. Ambas as vias, que serão fisicamente integradas a linhas do metrô, passam sobre movimentadas avenidas da cidade.
"Se optássemos pela montagem da estrutura in loco, teríamos necessariamente de desviar o tráfego, o que traria sérios transtornos para as regiões", diz a engenheira civil Débora Regueiro Gramani, coordenadora de projetos executivos da Linha 15-Prata da Companhia do Metrô, que está à frente do projeto.
De acordo com ela, fatores técnicos também foram determinantes na escolha do concreto pré-moldado enquanto método construtivo, como a possibilidade de impor maior precisão às vigas e de controlar previamente a qualidade da execução, além de permitir maior produtividade e rapidez na montagem das estruturas.
"As vantagens do concreto pré-moldado sobre o concreto moldado in loco nesse tipo de obra são, portanto, principalmente executivas", explica a engenheira. "Quanto à durabilidade, resistência e manutenção, as condições são muito parecidas."
O sistema de monotrilhos paulistano será atendido por trens que trafegarão com pneus de borracha e movidos a eletricidade. Eles poderão operar sem condutor e viajar a uma velocidade de até 80 km/h, com intervalo entre trens de 90 segundos. A capacidade de transporte será de cerca de 1 mil passageiros por trem.
Mapa da linha 15-Prata
FONTE: METRO-SP
Mapa da linha 17-Ouro
A Linha 17-Ouro faz parte do Plano de Expansão da Rede Metroferroviária da cidade e contribuirá para a melhoria dos sistemas de transporte de São Paulo. Serão 18 km de extensão, ligando o bairro do Morumbi ao Jabaquara e ao Aeroporto de Congonhas. Estão previstas dezoito estações ao longo do trajeto, sendo quatro delas interligadas com outras linhas do Metrô e da CPTM. Ao todo, serão quase 18 km de extensão fazendo integração com outras três linhas do Metrô e uma da CPTM. A Linha 17-Ouro liga, ainda, o Aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária
FONTE: METRO-SP
FOTO: REPRODUÇÃO METRO-SPFOTO: REPRODUÇÃO METRO-SP
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FOTO: REPRODUÇÃO METRO-SPFOTO: REPRODUÇÃO METRO-SP
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1 2 3 Trecho em obras da linha 15-Prata, na avenida Sapopemba, em junho de 2016 | ?4 Trecho em obras da linha 15-Prata, avenida Anhaia Melo.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Zaha Hadid Architects assina projeto de galeria de matemática no Museu de Ciências de Londres

Por PiniWeb

Espaço é inspirado em aeronave dos anos 20, com coberturas baseadas em correntes de ar

Luísa Cortés, do Portal PINIweb
8/Dezembro/2016


O escritório de Zaha Hadid é o responsável pela arquitetura da galeria de matemática Winton, do Museu de Ciências de Londres, na Inglaterra, projetada em um túnel de vento de um avião dos anos 20. O local foi inaugurado nesta quinta-feira (8).
No ambiente, encontra-se suspensa no telhado uma aeronave Handley Page Gugnunc 1929, que dá a inspiração para o design de toda a galeria. Curvas tri-dimensionais formam uma cobertura, baseada nas correntes de ar que teriam circundado o avião em voo. Elas são iluminadas por uma luz violeta.
"Quando eu estava crescendo no Iraque, a matemática fazia parte do meu cotidiano. Nós resolvíamos problemas de matemática da mesma forma que brincávamos com papel e caneta para desenhar - matemática era como esboços", contou Hadid quando elaborou o projeto, sobre os seus anos de formação no Iraque.
A galeria Winton é o primeiro projeto do Zaha Hadid Architects inaugurado no Reino Unido após o falecimento da arquiteta, em março deste ano. O espaço deverá abrigar cerca de 100 objetos do museu, pertencentes a coleções de ciências, tecnologia, engenharia e matemática.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Pontes estaiadas vencem grandes vãos com beleza arquitetônica

Método construtivo vai além da questão estética e é indicado para distâncias entre 150 m e 1.200 m

Publicado pela Revista Infraestrutura UrbanaEscrito por Edson Valente
Edição 64 - Novembro/2016

FOTOS: DIVULGAÇÃO ENESCIL
Ponte estaiada na Marginal Pinheiros, em São Paulo, virou cartão-postal da cidade
Para vencer grandes vãos com uma beleza arquitetônica de destaque, a ponte estaiada é uma opção muitas vezes preferida em relação às estruturas pênseis e fixas. A grande vantagem do modelo estaiado é transpor distâncias maiores, de acordo com Ary Goulart Curty Junior, diretor técnico-comercial da Alga Brasil, empresa que atua com estaiamento. "Ele permite vencer vãos que chegam a 1.000 m, enquanto a protensão comum atinge no máximo 220 m", compara.
Pela expertise de Catão Francisco Ribeiro, diretor da empresa de projetos Enescil, a ponte estaiada é uma solução eficaz para vãos que medem entre 150 m e 1.200 m. "Nesse intervalo, é inclusive mais barata do que o sistema mais tradicional", afirma.
Em projetos em que o vão excede 1.200 m, o uso da ponte pênsil é mais apropriado. "A altura da torre de uma ponte estaiada é o dobro da altura da torre de uma ponte pênsil", compara Catão. "Em um vão de 1.000 m, a torre da ponte estaiada mede cerca de 200 m, e a da ponte pênsil, cerca de 100 m", exemplifica.
Em vãos menores que 150 m, o estaiamento geralmente é utilizado como alternativa mais estética do que funcional. Nesses casos, a variável econômica da equação se inverte: a estrutura estaiada pode custar de 20% a 30% mais que a tradicional, na avaliação de Catão. "Por outro lado, acaba se tornando um marco arquitetônico da cidade ou região", justifica.
"Quando nos perguntam se os projetos das pontes estaiadas são concebidos buscando somente a estética, temos respondido que não e sim pelo conjunto das características técnicas, da utilização e da finalidade da obra", afirma Ubirajara Ferreira da Silva, vice-presidente da Associação Brasileira de Pontes e Estruturas (ABPE).
Uma obra desse tipo recentemente empreendida no País ilustra a escolha baseada pelo critério da estética: trata-se da ponte estaiada de Anápolis (GO), ainda em fase de conclusão. Ela integra o sistema BRT (Bus Rapid Transport, ou Transporte Rápido por Ônibus) da cidade, e o estaiamento foi realizado pela Alga Brasil. O diretor da empresa pondera que uma ponte tradicional seria viável para a necessidade a ser atendida nesse caso.
A escolha estrutural de uma ponte ou viaduto estaiado depende de uma somatória de condições, vinculadas principalmente aos elementos fornecidos para os estudos básicos da solução, segundo Ubirajara. "Além do local da obra e de sua previsão de extensão e altura, são considerados a correnteza das águas dos rios a ser ultrapassada, os tipos de materiais resistentes dos solos detectados pelas sondagens e os gabaritos de navegação, ferroviário ou rodoviário", diz.
Composição A estrutura da ponte estaiada é constituída de feixes de cabos de aço, os estais, que ligam o tabuleiro a um mastro apoiado em um bloco de fundação. "Esse aço é semelhante ao da protensão, mas tem tripla proteção", explica Curty. "Ele é galvanizado, engraxado com uma graxa especial e envolvido em polietileno de alta densidade. As cordoalhas, em um número que varia de 12 até 110, ficam dentro de outro tubo de polietileno, cuja cor depende da opção estética do projetista, podendo ser amarelo, branco, preto, cinza ou azul, por exemplo." Compõem ainda essa estrutura blocos ou pilares de ancoragem. O custo desse tipo de obra fica em torno de R$ 20 mil por metro quadrado de tabuleiro, de acordo com Ubirajara.
São três as modalidades de tabuleiro usadas nas pontes estaiadas. O de concreto é o mais comum, segundo o diretor da Alga Brasil. "É recomendado para vãos entre 200 m e 440 m", afirma Ubirajara.
O de estrutura mista, por sua vez, combina vigas ou aduelas metálicas e laje de concreto e é indicado para vãos de 440 m a 800 m. Existem ainda os tabuleiros metálicos, que, por serem mais leves, são mais apropriados para vãos maiores. "Acima de 800 m, as pontes pênsil já são muito usadas, desde que em suas extremidades existam rochas sãs para suporte das grandes forças atuantes", diz o engenheiro da ABPE.

FOTOS: DIVULGAÇÃO ENESCIL
A fixação mais comum dos cabos de aço, os estais, é feita em forma de leque, convergindo para um ponto na torre

O mastro da estrutura pode ser único, central, mas pode haver mais de uma torre. Ubirajara observa que as soluções com três vãos, sendo o vão central maior, têm sido as preferidas pelos projetistas. Essa escolha depende muito do estudo do solo.
A disposição dos estais varia muito de acordo com cada projeto. A fixação mais comum dos cabos é feita em forma de leque, convergindo para um ponto na torre. Quando é feita em forma de harpa, os estais ficam paralelos entre si, partindo de pontos diversos do mastro. Os estais em leque requerem uma altura maior do mastro na comparação com os estais em harpa.
Normatização Na percepção de Ubirajara, as inspeções e manutenções das pontes estaiadas no Brasil não têm seguido as recomendações e especificações técnicas de vistoria contidas em manuais normativos. As anomalias porventura existentes em cada obra devem, ou deveriam, ser identificadas e classificadas por equipes de técnicos formadas pelo órgão contratante, pelo engenheiro projetista e pelo responsável pela construção.
"A manutenção normalmente é feita pela firma especializada que fez o estaio", diz Curty, da Alga Brasil. "O valor cobrado depende da equipe necessária para o trabalho e de como se dá o acesso à estrutura. Se não é possível acessá-la pelo tabuleiro central, é preciso utilizar um andaime."
Usualmente, os manuais específicos recomendam inspeções e vistorias rotineiras nas obras a cada dois anos e inspeções mais detalhadas em intervalos de cinco a dez anos. É o que consta, por exemplo, no manual NCHRP-Synthesis 353, intitulado Inspection and Maintenance of Bridge Stay Cable System (2005). "Ao que sabemos, ainda não existem no Brasil cadernos normativos que obriguem as inspeções e a manutenção de pontes estaiadas por parte dos órgãos públicos ou dos proprietários das obras", afirma Ubirajara.
Os projetos da Enescil se baseiam, sobretudo, em normas francesas da Sétra (Service d´études sur les transports, les routes et leurs aménagements), descritas no volume Cable stays: Recommendations of French interministerial commission on prestressing. A empresa também consulta papers do American Concrete Institute (EUA). "A ABNT [Associação Brasileira de Normas Técnicas] está a zero no que diz respeito a pontes estaiadas", afirma Catão. "Tomamos por base as normas internacionais respeitando a norma brasileira de pontes, a NBR 7.197."
Ubirajara lembra que o Brasil ainda existem poucos escritórios especializados em pontes estaiadas. Nesse contexto, os órgãos públicos contratantes ainda não dispõem em seus departamentos de engenheiros e técnicos aptos a examinar e aprovar esses projetos. Assim, acaba-se confiando excessivamente nos autores das propostas em relação a quanto elas são adequadas para as necessidades em questão.
Catão acredita que existam hoje no Brasil cerca de dez calculistas aptos a projetar pontes estaiadas, e em torno de 30 construtoras capazes de erguê-las. "O projeto da ponte estaiada é mais complexo, uma vez que cada cabo tem uma força, um comprimento e um ângulo diferente", diz. "Tudo é calculado por computador." O custo desse tipo de obra fica em torno de R$ 20 mil por metro quadrado de tabuleiro, segundo Ubirajara.
Na estimativa do engenheiro da ABPE, existem atualmente no Brasil cerca de 40 pontes estaiadas construídas, em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Acre, Amazonas e Minas Gerais. O projeto pioneiro no País data da década de 1970: uma ponte sobre o rio Paranaíba, em Porto Alencastro (MS), com extensão de 660 m e um vão central de 350 m - os adjacentes têm cerca de 150 m cada um.
Na capital paulista, o destaque fica para a ponte Octavio Frias de Oliveira, constituída de duas pistas em curva sustentadas pelo mesmo mastro. A sustentação das pontes é feita por estais que variam de 15 a 25 cordoalhas de aço, revestidas por uma bainha de polietileno amarelo como proteção contra chuva, vento e luz solar. O total de aço utilizado na obra soma 492 toneladas. "O projeto, feito pela Enescil, é inovador por realizar o cruzamento dos estais, formando uma tessitura", descreve Catão. No Rio de Janeiro, a ponte estaiada sobre a baía da Guanabara, também projetada pela Enescil, mede 937 m e tem dois mastros, com um vão central de 200 m.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Santuário Nacional de São Nicolau projetado por Calatrava tem sua estrutura concluída


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Santuário Nacional de São Nicolau projetado por Calatrava tem sua estrutura concluída, via Santuário Nacional de São Nicolau no World Trade Center
As obras do Santuário Nacional de São Nicolau, projetado por Santiago Calatrava no local onde se localizava o World Trade Center, estão a todo o vapor.
A estrutura em estilo bizantino concebida por Calatrava em 2013 como um centro espiritual ecumênico para substituir a Igreja Ortodoxa Grega de São Nicolau, localizada na 155 Cedar Street, destruída nos atentados de 11 de setembro de 2001. 
Recentemente, as 40 peças estruturais da cúpula nervurada foram posicionadas, número idêntico ao da cúpula da Basílica de Santa Sofia em Istambul. As obras do novo templo em Nova Iorque tiveram início há pouco mais de um ano. 
Localizada próximo ao Hub de transporte de WTC, também de Calatrava, a igreja foi orçada em US$ 40 milhões, quantia angariada apenas através de doações privadas. O projeto tem conclusão prevista para o início de 2018.