segunda-feira, 10 de abril de 2017

Jacobsen Arquitetura se inspira nas grandes embarcações ao criar projeto do Museu Marítimo do Brasil, no Rio de Janeiro

Edifício localizado na Zona Portuária carioca terá rampas de acesso que permitirão a ocupação de sua cobertura e dispensarão o uso de elevadores e escadas rolantes

Gabrielle Vaz, do Portal PINIweb
6/Abril/2017


A Orla Conde, no Rio de Janeiro, recebeu um evento na última quarta-feira (5) para a apresentação do novo Museu Marítimo do Brasil (MUMA) que ocupará o atual Espaço Cultural da Marinha, na Zona Portuária. O projeto foi desenvolvido pelos arquitetos Bernardo e Paulo Jacobsen, do Jacobsen Arquitetura, em conjunto com a museóloga Margareth de Moraes.
No total, serão 6.516 metros quadrados de área construída em duas edificações - uma no continente e a outra no píer da Baía de Guanabara -, que levarão aos visitantes a ideia de estar a bordo, para uma experiência completamente imersiva. O objetivo dos idealizadores é que o local seja mais interativo do que os tradicionais museus navais ou museus oceanográficos, além de voltar seu foco para o território brasileiro e a própria ligação ao universo marítimo.
Os dois edifícios se elevam sutilmente do piso como uma rampa, resultando em uma arquitetura topográfica que permite o acesso dos visitantes à cobertura e sua plena utilização, eliminando também o uso de elevadores. O MUMA terá 12 metros de altura em seu ponto máximo. "Buscamos desta forma estabelecer uma relação harmônica com todos os elementos do entorno e ainda possibilitar o atracadouro do navio-museu Rebocador Laurindo Pitta e das outras embarcações da Diretoria de Patrimônio Histórico da Marinha", diz o memorial descritivo do projeto.
O primeiro edifício abrigará o hall principal, bilheteria, loja e área para a administração do museu, além de restaurante e auditório para 180 pessoas com vista privilegiada para o mar. Já o outro prédio contém os espaços para exposição e também recebimento e preparação do material expositivo. "O percurso será́ inesperado, como uma aventura ou descobrimento, com salas de dimensões variadas, na intenção de fazer o visitante perder a noção da estreita e longa forma do píer", pontuam os arquitetos.
O projeto se preocupou com itens de sustentabilidade, como o posicionamento adequado das edificações, trazendo exposição à luz natural e reduzindo o consumo de energia elétrica. As aberturas foram inseridas no projeto pensando no conforto térmico no interior do museu, além da grande preocupação com a acessibilidade de todas as áreas que não possuem elevadores e escadas rolantes - e economizam energia elétrica.
Na sua construção, serão utilizados materiais de refugo ou rejeito da indústria naval, com o reúso de peças metálicas para a estrutura da construção. O projeto não terá sistemas construtivos ou acabamentos de alto custo, para não resultar em manutenção excessivas durante seu uso, além de uma bandeja metálica engastada em torno do píer. Será reduzido o uso de alvenaria em tijolos cerâmicos e elementos em concreto armado, focando no uso de chapas de aço cortén nas fachadas e placas de gessos nas áreas internas.
"O revestimento de aço cortén, material leve e de fácil manutenção, será alternado por áreas envidraçadas que permitirão generosas entradas de luz natural. O conjunto foi pensado para levar o público a experimentar uma sensação de estar a bordo, tanto no convés como no interior de um navio", diz o memorial do projeto.
Vale lembrar que a criação do MUMA também considerou a dinâmica espacial, proporcionando um diálogo entre o museu e o patrimônio histórico que compõe a região como a Ilha Fiscal, a Igreja da Candelária, a Casa Franca-Brasil, o CCBB, o Museu Naval, o Museu Histórico Nacional, o Museu de Arte do Rio e o Museu do Amanhã.
O Museu Marítimo terá espaços destinados a exposições temporárias, a partir de intercâmbio com instituições parceiras no País e no exterior, espaços interativos e de multimídia, e uma exposição de longa duração, com acervo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, que possui raridades que vão desde embarcações originais - como a Galeota de D. João VI - ou réplicas, instrumentos náuticos, cartografia, arqueologia submarina, documentos e livros raros, e objetos variados.
"A navegação, as pesquisas científicas, as variadas manifestações místicas e religiosas, a presença humana, portos, faróis, a indústria da pesca, a indústria naval, tudo o que for relativo ao mar e aos rios brasileiros será objeto de interesse de exposições no Museu Marítimo", destaca o almirante José Carlos Mathias, diretor do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, órgão que está à frente do desenvolvimento da nova instituição.

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